ORGULHO AUTISTA: ATAQUES NÃO VÃO IMPEDIR A REVOLUÇÃO!

Meus amigos, nessa segunda (18), foi celebrado o Dia do Orgulho Autista (Autistic Pride Day). Data na qual nós, os autistas, afirmamos nosso orgulho em existir e sermos nós mesmos. Um orgulho como antônimo de vergonha, de constrangimento, não como um ato de soberba e narcisismo.

Tudo lindo e maravilhoso até aí. Não obstante, eis que uma senhora cujo nome prefiro nem mencionar (pois não dou Ibope, muito menos Datafolha, para porco fascista), vem numa rede social (que também não será mencionada aqui) e solta perólas (para não usar expressões mais agressivas) atacando o #AutisticPride e ainda insinua, na maior cara-de-peroba, que nós não somos autistas de verdade tão somente por termos um grau de independência mais elevado que autistas de nível 3 (que necessitam de maior suporte funcional). A pessoa teve o despautério, ainda, de desafiar-nos a mostrar nossos laudos médicos pra provarmos que somos mesmo autistas.

Num único post, essa pessoa afirma que autistas são incapazes de discernir e decidir por si próprios, nos chama (mesmo que sutilmente) de mentirosos e antipáticos, acusa-nos de inventar que somos autistas (e desconsidera que tem muitos autistas que não tem laudo, dadas as dificuldades que existem para se conseguir, sobretudo para as mulheres autistas) e ainda nos tacha, de forma abusiva, de egoístas, soberbos e hipócritas. Tudo para chamar a atenção, não para o tema, mas para si própria, para que os outros tenham dó e é tudo que menos precisamos num momento em que o modelo social de deficiência avança no Brasil e no mundo e vários paradigmas tem sido quebrados pelas próprias pessoas com deficiência.

A falta de respeito demonstrada por essa pessoa só reforça uma constatação: o movimento de pessoas autistas é o único movimento de minorias no qual as minorias NÃO SÃO PROTAGONISTAS e ainda são sub-representados (e muito mal-representados em algumas situações) por parentes e ainda por cima esses mesmos tentam, a todo custo (mesmo que por meio de atitudes anti-éticas e de CENSURA) silenciar essas minorias. Quanta contradição, não?

Capacitismo, psicofobia velada, calúnia, difamação, demagogia, falso moralismo, tragédia em demasia. Tudo na mesma “massa de bolo” indigesta.

Achei uma afronta (pra não dizer uma burrice) sem tamanho a atitude dela. Agora, para ser autista, tem que ser menino do sexo masculino (e mudo, de preferência)? Como tem gente que não cansa de passar vergonha nessa bagaça! Se todos os absurdos que ela disse fossem verdadeiros, então por que, plumerombas, o Naoki Higashida (que está no mesmo nível de autismo que as filhas dessa senhora), conseguiu, sendo severo e não-falante, escrever um livro chamado “O que me faz pular”? O que dizer, então, de Amy Sequenzia, autista não falante e com epilepsia, que tem blog, escreve uma coluna para um periódico e ainda organizou uma rede de mulheres autistas?

O que leva uma pessoa a querer discorrer (de forma negativa) sobre uma data que NÃO se refere a ela, uma pessoa não-autista? O Dia do Orgulho Autista se refere ao nosso orgulho, não ao orgulho neurotípico. É tão chato (e antiético) quando roubam nosso lugar de fala, não?

Ela pode até ser uma boa mãe ou coisa do tipo, e é compreensível que ela se preocupe com a situação das filhas, mas não justifica ir a uma rede social e atacar, IRRESPONSAVELMENTE, outros autistas que não tem tantas demandas e não necessitem de tanto suporte, como é meu caso. Como se também não tivéssemos crises e dificuldades, não??? Quanta petulância, quanto fascismo gratuito, hein… E olha que essa não é a primeira (tampouco será a última) vez que isso acontece. Designar, sem necessidade, autistas “raiz” e autistas “fake” (como bem constatou a Adriana Torres num artigo para o site da ABRAÇA: http://abraca.autismobrasil.org/protagonismo-autista-opiniao-adriana-torres/) é muito fácil. Agora, se colocar em nosso lugar… bom, nem preciso responder, pois a resposta é conhecida de tod@s.

Encerro fazendo minhas as palavras de uma companheira a respeito dessa situação: “Em que ficar se lamentando vai nos levar? Ficar tratando o autista não falante como inferior trará maior acessibilidade comunicação alternativa, ou só vai fazer ficar excluídos mais ainda?”

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